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sexta-feira, 30 de setembro de 2011

I've got the power!

A Misantropa tem um carro que é considerado, normalmente, como o carro dos aceleras. O Super Popicas é, assim, bastante requisitado em operações stop, de tal forma que já cheguei a parar em três operações stop na mesma noite. Aqui na zona onde vivo há uns sítios onde a PSP gosta de assentar arraiais e fazer as ditas cujas. Hoje, seguia eu com uma vizinha que encontrara junto na paragem e a quem oferecera boleia, e catrapimba, mandaram-me encostar; e a prova que já parei vezes em demasia provou-se no diálogo entre mim e o agente da PSP:

- Boa noite, senhora condutora... Ah, olá menina! Não reconheci o carro, então tudo bem?
- Olá boa noite, sim está tudo bem, e consigo?
- Bem obrigada! Siga, siga, vá para casa descansar!
E olhando para o outro agente, mais novo e atónito, o polícia apenas disse:
- A menina já é cliente da casa.

Se eu não estivesse acompanhada até dizia que estava a sonhar.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Dois em Um

Eis que a Misantropa regressa dos escombros, qual Fénix depenada, ainda abaladita mas com uma nova força e energia! E porque por muito grande que seja o fanico a malta tem de trabalhar, regresso com mais uma pérola do mundo livreiro; sim, a filoxera deu-me com força, mas tive de continuar a trabalhar, que a malta precisa daquilo com que se compram os melões e se põe gasolina no Super Popicas.

"Boa tarde... eu queria um livro para a escola."
"Boa tarde. Livro escolar ou de apoio?"
"Não, daqueles que os miúdos têm de ler... é... ah... "A História do Gato Malhado e da Gaivota Sinhá que o Ensinou a Voar"!"
"?!"




"História de uma Gaivota e do Gato que a Ensinou a Voar"
Luis Sepúlveda, Porto Editora

"Só voa quem se atreve a fazê-lo."


"O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá: Uma História de Amor"
Jorge Amado, Publicações D. Quixote

"O mundo só vai prestar / Para nele se viver / No dia em que a gente ver / Um gato maltês casar / Com uma alegre andorinha / Saindo os dois a voar / O noivo e sua noivinha / Dom Gato e Dona Andorinha. "


O cliente acabou por levar os dois, com a promessa de devolver aquele que não servisse. Espero que não devolva. Qualquer um deles é um Pequeno Grande Livro.

domingo, 10 de outubro de 2010

Anda a propósito do Nobel...

... ou Nóbel, como vos der mais jeito, devo dizer que é comum os clientes interrogarem o livreiro com a seguinte pergunta: "olhe, desculpe, tem o livro que ganhou o Nobel?"

O livreiro, com toda a boa vontade, lá explica que quem ganha é o escritor, sendo o prémio baseado na sua obra. no entanto, hoje surgiu a pergunta vencedora. Fica para os anais, sem dúvida.

"Olhe, desculpe... já saiu o livro que ganhou o prémio Nobel?"

Com um sorriso, expliquei, e perante o meu ar incrédulo, ocorreu-me que deveria mudar o nome do blog para "Aventuras e Desventuras de uma Livreira Portuguesa". Será que ainda vou a tempo?

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Ó tempoooo, volta p'ra trááááás!

A Misantropa tem o hábito de ouvir a Rádio Comercial enquanto conduz, especialmente de manhã, a caminho do trabalho. Ouço, em parte, pela música, em parte porque o programa é porreiro, e em grande parte por aquele gracioso momento em que soa no rádio "Tiriri... Crómó!"

O cromo de hoje foi sobre a mira técnica da RTP, a sua psicadélica animação e claro, o hino, o mítico hino da RTP que, quando tocava, provocava corridas casa fora porque ia começar a emissão. E como seria de esperar ( até porque seria impossível fazer um cromo sobre a mira técnica da RTP e não o fazer ) a equipa da Comercial colocou, no ar, a música que todas as pessoas com mais de 25 anos reconhecem, sabem de cor e trauteiam.

Quando o hino soou, eu estava parada no trânsito, e enquanto acenava alegremente a cabeça e trauteava o hino, olhei para os carros que tinha em volta. Todas as pessoas estavam a fazer o mesmo, com um sorriso no lábios. "Tan-tarararan-tan-tan!" Estava a fazer uma triste figura é certo. Mas não estava sozinha. A sabedoria popular é mesmo sábia: a miséria gosta de companhia.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Só a mim

Desarrumaram o meu Popicas. Sim, desarrumaram. Porque a partir do momento que não partem vidros, não estragam fechaduras e, mais importante, não roubam nada, não é um assalto; é uma desarrumação.

Tenho de ir à bruxa.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

De pequenino...

Diálogo entre duas crianças com cerca de cinco anos, hoje, na livraria:

- Como é que te chamas?
- Maria.
- Tens nome de bolacha!
- E tu?
- Rafaela.
- TU TENS NOME DE POBRE!!!

A senhora que eu estava a atender ficou chocada. Não sei se com as crianças, ou se com a estrondosa gargalhada que eu dei. Realmente, as crianças são o melhor do mundo. E que mundo, hein?!

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Não acontece todos os dias...

Estava a vaguear na Internet ( há quem navegue, há quem surfe, eu cá vagueio ) a ver imagens dos novos protótipos de marcas acessíveis a qualquer comum mortal ( not ), quando, ao ver as imagens do novo Koenigsegg, lembrei-me de um momento de ouro dos tempos em que trabalhava na Grande Superfície Amarela e Azul que Vende Móveis e Outras Coisas Para a Casa, já eu estava de malas feitas para ir embora.

Por lá, quando é necessário chamar alguém ao carro, dizem a matrícula, a marca e a cor, mas nunca, nunca dizem o modelo do carro. Certo dia, após o ding-ding-ding! ouvimos:

"Pede-se ao nosso estimado cliente, proprietário do veículo com a matrícula blá-blá-blá, um Maserati GranTurismo de cor preta, o favor de se dirigir para junto do mesmo."

Juro. Juro que ouvi o rapaz da megafonia a ranger os dentes de ódio e de inveja.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Ao lado...

- Bom dia! Estou à procura de um livro de um jornalista, Francisco qualquer coisa...
- Francisco José Viegas?
- É isso mesmo! O livro é O Mar de Casanova.
- Não será O Mar em Casablanca?
- Bolas, você sabe tudo...
- ...

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Tudo uma questão de acentos

Hoje atendi um senhor que tinha a bonita graça de António Balde. Ao ouvir o apelido, tive de suster o riso, e se não parece um apelido incrivelmente cómico, mesmo que nos recordemos da quase-histérica Mrs. Bucket ( Bouquet! ), ou até mesmo do Richard e do seu sentido da vida, eu passo a explicar porque é que esta palavra, especialmente sendo um apelido, leva-me ao riso quase incontrolável.

Ora a Misantropa cresceu num bairro mui airoso e mui belo, tão confuso que, durante muitos anos, o carteiro e os funcionários da EDP e da EPAL eram sempre os mesmos, para não se perderem. Um deles era uma personagem digna de série cómica, e contava a água. Certo dia, entrou no café que fica no rés-do-chão do meu prédio e, com um ar muito intrigado, perguntou:

- Ora bons dias! Alguém sabe onde mora o senhor... José Mamado Sai do Balde?

No meio da risota, a minha mãe lá lhe explicou:

- Não é nada disso... o senhor Baldé é guineense. Chama-se José Mamadu Saidu Baldé.

Peremptório, ele resmungou para a minha mãe:

- Pois aqui não há acentos, por isso, para mim, é José Mamado Sai do Balde sim senhor!

Ainda hoje o Senhor Baldé mora lá no prédio. E apesar de este episódio já ter uns bons vinte anos, ainda hoje nos rimos com ele, incluindo o Sr. Baldé, que nunca se incomodou por ter sido confundido com um balde.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

E tu, o que é que fazias pela Selecção?

21 de Junho de 2010, 13h50, Eixo Norte-Sul, Lisboa.

A Misantropa vai a conduzir o Super Popicas, e a ouvir a Antena 1. O jogo Portugal - Coreia do Norte está em 4-0, e a Misantropa vai a tentar manter os olhos na estrada e as mãos no volante, até que...

"Entrecampos?! Ah, merda, merda, merda, enganei-me!!!"

O que é que eu fazia pela Selecção? Olhem, até me enganava no caminho para o trabalho e chegava atrasada!

Porém, fica a frase do dia, ouvida no relato: "A defesa da Coreia parece um passador!!!" :D

terça-feira, 15 de junho de 2010

Payback Time

O meu vizinho está a tocar na sua vuvuzela desde as 10 da manhã. São, neste momento, 13h45. E eu ainda não reclamei, ainda não disse nada, clap, clap, clap, palmas para mim. Mas logo à noite vou pôr Super Cola 3 na campainha deste filho de uma égua.

Depois conto como foi.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Nem tudo o que parece é!


Tem piada.

Tem mesmo imensa piada!

E não é uma fotomontagem, podem consultar e confirmar na Jornais e Revistas.

PS: Ainda estou a rir.

Mas porquê Beja?!

Mãe da Misantropa: É como as putas de Beja! P'ra cima é porta sim, porta não, p'ra baixo são todas a eito!
Misantropa: Hã?! O quê?
Mãe da Misantropa: É um dito antigo, nunca tinhas ouvido?
Misantropa: Não... mas... mas... porquê Beja?!
Mãe da Misantropa: Ah, isso não sei, tens de ir perguntar ao antigos.

Mais um magnífico preciosismo da nossa língua.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Informatiquices

Alvíssaras, alvíssaras! Hoje olhei para o Bobby ( nome carinhoso de um dos programas de tratamento de dados que uso ) e o pobre Bobby estava com espasmos, e quase a gumitar mulhelhas de cavelo; o écran estava às riscas e o pobrezinho não dava acordo de si. Depois de panicar um bocadinho em frente ao écran, e pensar "valha-me Santa Pechenica, lá se me vão os dados todos", gritei pelo Chefe Assis, que olhou estoicamente para o écran, encolheu os ombros e disse: "chama o informático". 'Tadinha d'eu, procurei o número do informático nas cábulas que estão na secretária e lá telefonei, com a voz mais delicodoce que consegui arranjar. voz de engraxar, bem entendido. Atendeu-me uma voz masculina simpática, que se prontificou a aparecer em cinco minutos. A minha vasta experiência em promessas masculinas e vindas de informáticos fez-me pensar "beeeeeeem... tenho tempo para um café, um pastel de nata, e com jeitinho uma pedicure." Fiquei-me só pelo café, e quando voltei, estava um cachopo de aspecto, digamos, p'ra lá de agradável. Pipoca, parecia o menino do BPI! Sorriu-me e perguntou: "foi a menina que chamou?"
Vou gripar o Bobby todos os dias, só para chamar o informático. Amoroso, p'ra lá de giro e eficiente.
Se bem que não ganha o meu adorado e saudoso Sr. Nunes, o melhor informático de aquém e além mar. ( Que saudades de telefonar e choramingar: Sr. Nunes, socooooooorro! )

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Dose dupla

Ainda agora comecei, já temos dois insólitos, um em cada poiso.

Insólito nº 1:
Misantropa: Cheeeeeeefe!
Chefe Assis: O quééééé?...
Misantropa: Há printers?
Chefe Assis: Clisteres?! Cá não há disso!!!
Misantropa: ... ( som de palmada da testa )

Insólito nº 2:
Sonita: ... não achas?
Misantropa: Eu cá bem olho para o chão, mas nem moedas de um cêntimo acho.
Sonita: ACHEI UM OLHO!
Misantropa: Achaste o quê?!
Sonita: Achei o olho do Pirilampo Zarolho! Agora temos de fazer a devolução de um olho!
Misantropa: ...

terça-feira, 1 de junho de 2010

TRÁS!

Conversa via Facebook Chat...

Devlin: Não gosto nada da palavra rijinho...
Misantropa: Depende ao que é aplicada!
Devlin: Prefiro outras, essa é feia. Bah.
Misantropa: Rijinho é bonito, lol. Tenho de escrever sobre isto!
Devlin: Olha ia lançar-te um repto sobre isso, damn. Roubaste-me as palavras, bastarda!!
Misantropa: Ias lançar-me um réptil, lol? E vais lançar-me o quê?
Devlin: Toma lá um jacaré na tromba, escreve lá sobre o étimo da palavra rijo e as conotações do rijinho.

Porra, e logo com um jacaré na tromba, e ainda diz que gosta de mim...

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Tudo é uma questão de educação

Quando trabalhei na IKEA, todos nós por lá tínhamos a teoria ( e certamente não era inédita nem exclusiva ) de que as pessoas não lêem. E não falamos só de livros. Podíamos ter cartazes do tamanho de roupeiros, as pessoas não iam ler. Iam perguntar. Ou melhor ainda, liam e em seguida perguntavam. Mas tive uma iluminação, qual El-Rei D. Tadinho, Monarca Iluminado do Reino das Cem Janelas. Descobri o que falta. Vejamos esta porta...


... e a ampliação do aviso que está colado na mesma.



Lá está. Falta o "Fáxavôr"!!!

terça-feira, 25 de maio de 2010

Lá vai disto que amanhã não há.

Hoje ouvi uma declaração de amor, no mínimo, original, de um cachopo para uma cachopa. Passo a citar: "Foda-se, curto bué de ti". Isto fez-me espirrar uma quantidade considerável de café pelo nariz, e creio que pior, só mesmo a canção do macaco e da banana do José Cid, quando o senhor canta "minha macaca gira e bacana / o teu sorriso é que não me engana..." Se o Homem que Atura a Misantropa tivesse a triste ideia de me dizer isto, tinha de me ir buscar a Santa Comba Dão, porque eu ia a rebolar a rir até lá.

No entanto, este momento de ternura e carinho entre o par de pombinhos trouxe-me à memória um acontecimento recente. Ontem estava no café da minha rua e ouvi o seguintes “diálogo” ( sim, é mesmo entre aspas ) entre dois dos meus amigos de infância. Desde já peço desculpa a quem for sensível à linguagem utilizada, mas a transcrição é absolutamente fiel.

“- Foda-se, ‘tás a gozar, caralho!”
“- Não ‘tou nada, caralho!”
“- Foda-se, g’anda merda, caralho!”
“- Podes crer! Foda-se!”

Não sou exactamente puritana, e quando me sobe a mostarda ao nariz calço as chanatas, ponho as mãos na cintura, sobe-me a verve da Serra da Luz à garganta e lá vai disto que amanhã não há. Mas não vejo necessidade de dizer três asneiras numa frase com quatro palavras. Expliquei-lhe que podiam simplesmente ter dito:

“- ’Tás a gozar!”
“- Não ‘tou nada!”
“- G’anda merda!”
“- Podes crer!”

Ficaram os dois meio aparvalhados a olhar para mim, e um respondeu:
“- Foda-se, ‘tás cada mais intalecatual… não há pachorra p’a t’aturar, caralho!”
A única pessoa que partilhou a minha dor foi o dono do café, que se escondeu atrás do balcão a rir baixinho da minha cara de pasmo. E a única conclusão que tiro destas duas situações é mesma deles.

Foda-se, não há pachorra.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Há revistas e revistas... Parte II - Carga Genética

Ainda inspirada pela posta anterior, veio-me assim, plof!, à memória, um episódio que vivi com a minha mãe no Carrefour de Telheiras, agora Continente.
Já lá vão uns anitos valentes, e eu fui com a minha mãe ao supermercado comprar meia dúzia de coisas e fomos para uma daquelas caixas que só pode ir quem tem dez artigos ou menos, quem não leva um pontapé até uma caixa normal. Sim, foi a tanto tempo que ainda não existiam as caixas self-service. À nossa frente estava um rapaz dos seus vinte e poucos anos, ar bovino, postura bovina, e quase dava para adivinhar, inteligência bovina. Quando pousei as compras no tapete, reparei que ele levava um pack de cervejas, lubrificante para os genitais ( parece-me que a festa só incluía um genital ) e dois filmes porno. Despudorada, olhei para os títulos ( que nunca mais esqueci ): “Enfermeiras Insaciáveis” ainda vá que não vá, é um título engraçado, apelativo. Mas o segundo levou-me ao riso incontrolável.
“Porcas e Parafusos”.
O olhar escandalizado da rapariga da caixa e o ar envergonhado do rapaz não ajudaram o riso a cessar. E as gargalhadas da minha mãe também não. A carga genética é uma coisa tramada.

Há revistas e revistas...

Hoje à tarde fui beber café com o Homem que Atura a Misantropa. O vento estragava o ambiente normalmente agradável da esplanada, e demos corda aos sapatos mais depressa que o Homer Simpson come um donut. Antes de irmos embora, disse-lhe que queria ir à tabacaria comprar uma revista.
Peguei na revista que queria, e fui à caixa pagar. Ao meu lado estava um senhor dos seus sessenta anos, de ar distinto, que olhou para a revista que pousei em cima do balcão e encolheu-se, encarnadíssimo, tentando esconder as dele. Obviamente, isso fez-me olhar para algo que, até ali, eu não estava minimamente interessada.
Eu levava a Top Gear. Ele levava a Maria e a Telenovelas.
Das duas, uma: ou estava a fazer um mandado para a mulher… ou deve ser daqueles que põem os anúncios maravilha para amizade ou algo mais, assunto sério. Subitamente lembrei-me de um colega de escola que se masturbava nas aulas a ler a rubrica Diário Íntimo, da revista Maria.
E depois eu é que sou esquisita porque sou mulher e gosto de automóveis. Go figure…