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sábado, 26 de maio de 2012

Cozinhar ou não, eis a questão!

Eis o regresso da Misantropa! Já tardava, eu bem sei, e sei que todos vós, meus pimpolhitos e pimpolhitas, já sentiam falta das análises sociológicas e algo parvas que a Misantropa aprecia neste mundo de enormidades.
Ora hoje trago-vos uma reflexão pertinente. Trata-se de um dos maiores flagelos da Humanindade, quiçá da galáxia. Falo-vos de uma nova estirpe humana que tenta a todo o custo converter as massas a uma ideia e a um ideal; chegam até nós cheios de boas intenções, tentam livrar-nos da perdição e trazem, frequentemente, um livro consigo.
Para todos aqueles que estão a pensar em religiões, especialmente numa que começa com T e acaba em "estemunhas de Jeová", desengane-se, até porque eu nunca tive ninguém a tocar-me à campainha. Trata-se de uma seita bem mais aborrecida: a seita da Bimby.
Eles andam aí, com o livro das receitas mágicas debaixo do braço, convencido que encontraram o Santo Graal da Culinária, e que, ao impingir-nos uma Bimby, nos estão a salvar da perdição de tempo eterna, e que nos salvam do inferno da loiça suja; isto quando são proprietários. Quando as vendem, então, é um pesadelo, sempre atrás dos incautos cozinheiros-de-tacho-e-colher-de-pau com olhinhos sedutores, e a gemer: "Deixa-me fazer uma demonstração! Deixa-me cozinhar para ti!"
Ora vejamos. Eu cozinho todos os dias,e 99% das vezes não uso receita ( sendo o índice de invenção cerca de 79% ). E olhai que sou moça com jeito para os tachos, e que "vareia" muito o pitéu. Não sou proprietária de livros de culinária; quando quero saber alguma coisa, vou à Internet ou então pergunto à minha mãe, que por norma é mais rápido e acertado. Por norma contra-argumentam que a Bimby é prática, faz tudo e limpa-se sozinha. Muito bem, àláber. Imaginemos que eu vou fazer um inocente bacalhau com natas com recurso a tachos e panelas.Tenho de desfiar o bacalhau ( ou comprá-lo já demolhado e desfiado ), descascar e picar alho e cebola ( ou comprá-los já picados ) e fazer um refogado com azeite. Depois tenho de descascar, cortar e fritar batatas ( ou comprar das pré-fritas ). Segue-se o arremesso do bacalhau para o tacho, e o afogamento em natas sem dó nem piedade. Deixar ferver, juntar uma noz de manteiga e farinha*, sal, pimenta, noz-moscada a gosto, pôr as batatas e o bacalhau em camadas num tabuleiro, cobrir com queijo e pão ralado** e levar ao forno. Balanço final:
1 tacho
1 tabuleiro
1 faca
1 prato ( para o bacalhau desfiado, caso seja desfiado à mão )
1 colher de pau.

Vejamos agora a receita na Bimby, retirada desse grande site que é o Petiscos.com:

Coloque no copo os alhos e a cebola e pique 6/8 seg na vel 3½ . Adicione o azeite e programe 7 min na temp 100º, vel 1 ½ . Coloque o suporte giratório/borboleta adicione a água e as batatas cortadas em quadradinhos e programe 12 min na temp Varoma, vel 1. Quando terminar o tempo adicione o bacalhau desfiado e programe 2 min na mesma temp e vel. Retire e reserve no pirex. Prepare o molho béchamel. Deite todos os ingredientes, excepto as natas, e programe 8 min na temp 85, vel 4. Adicione as natas e programe mais 2 min na mesma temp e vel. Deite no pirex onde reservou o bacalhau e envolva tudo muito bem. 

Balanço final: tenho de descascar a cebola, os alhos e as batatas na mesma, tenho de desfiar o bacalhau na mesma, tenho o tabuleiro e a faca para lavar, e ainda tenho de pôr a Bimby a limpar duas vezes. Não me lixem. Onde é que isto é mais prático?! Aqui à uns tempos fui jantar a casa de uns amigos que tinhas uma demonstração da Bimby. Com muito orgulho, os demonstradores ( que sujaram uma quantidade inumerável de loiça e deixaram a cozinha à beira de lei marcial - eu sei porque, num misto de pena e simpatia, ajudei a minha amiga a limpar tudo ) apresentaram uma lasanha, uma limonada e um granizado. Tudo coisas com uma complexidade de grau1. OK, limonada implica espremer limões. Um granizado implica juntar açúcar, água e fruta e deixar o congelador fazer o parte mais complicada. E a lasanha era a coisa mais desenxabida que que comi na vida, e já estou a contar com a comida de hospital. Em suma: uma bodega.
Resumindo e baralhando: não é mais prática, não poupa trabalho, é apenas um robô de cozinha cheio de pinta, com laivos de Anti-Cristo. Podemos programar a hora a que queremos a comida? Eu faço almôndegas recheadas com mozzarella em 45 minutos ( e sim, faço as almôndegas ). Além disso, as panelas com temporizador já existem há muitos anos. Uma máquina de 1000 euros tem a obrigação de cozinhar, limpar a cozinha, servir à mesa e tirar o café! Não me convencem. Venho de uma longa linhagem de grandes cozinheiras e, para mim, a Bimby é para quem não sabe nem quer aprender a cozinhar. Cozinhar é simultaneamente, uma arte e uma ciência. Requer paciência,  e muitas vezes é um trabalho de amor. Lembro-me como a minha avó gostava de mimar os netos cozinhando aquilo que todos gostávamos, nem que isso implicasse horas a cozinhar. E o amor, paciência, arte e ciência não são possíveis através de um robô que nem as batatas descasca.

* Peguem numa noz de manteiga, juntem farinha e amassem, fazendo uma bola. Ou um paralelipípedo. Ou um patinho. Tanto faz. É uma forma muito prática de engrossar um molho sem ficar com os grumos da farinha.

** O pão ralado, com o queijo derretido, faz uma crosta crocante e saborosa; esta é a minha receita. É simples, é rápida, é prática, e garanto que fica um pitéu. Juntem cominhos e vão ver que fica supimpa.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Boa causa

Pois é, por aqui também se apoiam boas causas. E não, não criei uma petição para dar com carapaus na cara do Cavaco, apesar de ser uma belíssima causa ( com os votos discordantes dos representantes dos carapaus ). Desta vez é uma boa causa, daquelas mesmo a sério, porque é um evento inédito em Portugal, e que deve ser divulgado. Porque fechar os olhos e virar as costas não resolve problemas. Devemos, sim, olhar todos os seres humanos nos olhos, ser sincero, partilhar gentilmente opiniões e, se necessário, concordar em discordar. mas acima de tudo, o debate. a partilha... porque são o primeiro passo para a compreensão e aceitação.


"
Tendo reparado que existe uma falta notória de debate onde as pessoas transexuais e activistas possam falar livremente sobre o tema da despatologização sem a presença sempre policial de médicos e/ou psicólogos, o Grupo Transexual Portugal, na sua primeira iniciativa pública, vem colmatar essa falha.

Assim, no dia 24 de Fevereiro, terá lugar uma conversa/debate/tertúlia nas instalações do RDA69.
O evento iniciar-se-á com um jantar popular (para quem queira) de Transcezinhas seguindo-se a conversa/debate/tertúlia. Cada pessoa lavará a sua loiça no final do jantar, integrando-se assim no espírito do RDA69.

Esta conversa também será inovadora por não existir mesa de oradores, apesar da participação da Drª Sandra Saleiro, investigadora do ISCTE. Vai-se dar primazia ao debate público e livre de forma a maximizar a participação da audiência, sempre limitada e quantas vezes sem tempo para troca de argumentos.

A entrada é livre (salvo o jantar, obviamente - 3 patacas) neste evento que marca a primeira iniciativa do Grupo Transexual Portugal, além de ser o primeiro debate sem presença patologizadora e sem mesa de oradores.

Aguardamos pela vossa presença e esperamos uma iniciativa de sucesso.

O Grupo Transexual Portugal."


Para mais informações, por favor contactem o Grupo Transexual Portugal e/ou Lara Crespo.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Hoje é dia de festa...

... por das razões: em primeiro lugar, devo informar a baiúca que hoje é o aniversário da Mãe da Misantropa. Em segundo lugar, abre hoje oficialmente um projecto a que me tenho dedicado de alma e coração. Abram alas, senhores, para a UMBEM, a Universidade Sénior de Belém!

Hip, Hip... HURRA!

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

E porque nem tudo são palermices...

... a Misantropa anda dedicada ao apoio domiciliário a idosos. Este fim de semana ( que se prolonga até hoje ) foi inteiramente dedicado a fóruns e palestras sobre o tema. Há quem diga que a população envelhecida é um flagelo; pois eu acho que um flagelo é existirem pessoas que pensam, acham e proferem semelhante barbaridade. A população idosa aumentar não é um flagelo, é sinal que o mundo evoluiu o suficiente para vivermos além dos 45 anos. O verdadeiro flagelo é a crise, seja económica ou de valores, que faz baixar a taxa de natalidade.

Se calhar não era mau pensado cuidarmos dos nossos idosos e aprendermos com eles.Quanto mais não seja, andam cá à uns anitos valentes.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

24-11-11


A Misantropa ainda não recebeu o ordenado de Outubro ( sim, pimpolhos, leram bem, Outubro. ) Por isso, por estar nessa situação de ai-meu-Deus-quando-é-que-eu-vou-receber-o-ordenado-para-pagar-as-contas-e-comer, a Misantropa vai respirar fundo e vai não só fazer greve, como vai à manifestação.

Eu sei, parece que vai estar lá algumas pessoas, e eu não gosto muito disso. Mas a causa é maior. Depois conto como foi.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

E agora uma coisa completamente diferente...

... porque é a sério. Mas mesmo, mesmo a sério.


Aproxima-se uma greve geral e a Misantropa vai fazer greve. E ao longo destes dias em que se tem falado em greves, piquetes, fazer ou não, já ouvi alguns argumentos muito plausíveis para não se fazer greve, como, por exemplo, "não é solução num país em crise", ou o clássico "as greves não resolvem nada".


É um facto. Para a produção, qualquer que ela seja, é prejudicial, especialmente num país em crise. E também é uma verdade que as greves, até hoje, não resolveram grande coisa, que é como quem diz nada. Mas é um Direito Constitucional que foi conquistado a ferro e fogo, que levou muitas vidas, que custou muito a conseguir. E não é só a nossa empresa, o nosso sector, o nosso país que está mal. O Mundo inteiro está mal, está errado. E mesmo que seja prejudicial para a produtividade ( da parte que me toca não me afecta, porque trabalho para uma empresa cujos gestores só merecem mimos como chapadas nos dentes e tiros de caçadeira nos joelhos ), a greve é e será sempre a única forma de se ser ouvido.


A mim perguntaram-se se eu achava bem fazer greve. E eu respondi que não fazer greve é, para mim, uma afronta pessoal e geral. Pessoal porque é negar tudo o que os meus familiares passaram para termos um futuro melhor, e geral porque é negar a última e miserável arma que nos resta contra os patrões-papões.


Por mim, vou para a rua. A LUTA NUNCA MORRE, A LUTA CONTINUA!

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Candidata a frase do ano

Esta ouvi-a ontem, cortesia do Bernahrd, uma recente aquisição no círculo de "bom amigo em potência".

"Eu preciso de rezar, de meditar... preciso de beatices, que seja. Preciso de Deus para me fortalecer."

E eu gostei de ouvir um rapaz da minha idade a dizer isto. E lembrei-me da frase de São Paulo "tudo posso Naquele que me fortalece". E depois lembrei-me de pôr aqui no blogue. Porque realmente... se com Deus eu já sou intragável, sem Deus eu nem sei como seria. Nem sei como é que Deus me atura.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Isto da Vogue...

... Fashion's Night Out foi uma boniteza, sim senhor, é lindo ver um país como nosso cheio de glamour, mesmo que não tenha dinheiro, mas isso agora não interessa nada, como diria a Teresa Guilherme. De qualquer das formas acho bem, estas iniciativas são bonitas. Só tenho meeeeesmo de perguntar é o seguinte: era mesmo necessário colocar este evento AO MESMO TEMPO do MotelX? Ontem houve muita gente que chegou ao São Jorge atrasados para as sessões, e houve mesmo pessoas que perderam os filmes. E sim, esses têm de levar carro, porque às 2h30 ou às 3h da manhã não há metro para voltar para casa, nem nada que se pareça com isso. Quem foi lamber montras levou também o carro, e estão no seu direito. E a organização do evento devia ter criado infraestruturas ( palavra estranha a ouvidos portugueses ).

Eu fui para o MotelX e levei o carro, porque tinha mesmo de ser ( do São Jorge até à minha casa a pé ainda é esticão para levar umas horas a pé ), e felizmente conheço bem a zona e não foi difícil para mim estacionar; cheguei à sessão mesmo a tempo. E pelo caminho fiz questão de mandar para muitos sítios bonitos todas as pessoas que, por uma noite, desistiram do centro comercial e acharam que era fixe e porreiro sair à rua, porque a Vogue mandou-as à Baixa. O problema é que empancaram a vida a quem ia ou estava a trabalhar, a quem mora na zona e a quem vai à Baixa durante todo o ano e dá dinheiro a ganhar ao povo que por lá trabalha. Eu não preciso que a Vogue me mande à Baixa, mas acho que a Vogue está a precisar que muitos lisboetas a mandem à merda.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Este é...

... o espírito de hoje.



I listen to this song while I was driving, and the road was a blur. Miss you, lass.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

E em pouco mais de um ano...

... vou outra vez ao aeroporto despedir-me de ti. E daqui a um ano estarei lá, à espera, mais uma vez. Hoje o sono custa a vir, é a preocupação, o medo que algo corra mal, que algo te aconteça, mas já sabes como sou: potencialmente fatalista e com um instinto protector até às unhas dos pés. Nada a fazer, isto com a idade só piora.

Acho que as saudades também não me ajudam a dormir. Bem sei que ainda não foste, e que não se deve sofrer por antecipação, e que este ano vai passar, certamente, depressa como todos os outros, mas as saudades começam sempre antes da despedida.

Olho para trás e tento contar os anos, mas são tantos, tento lembrar-me de todos os momentos mas são demasiados, tento perceber quando é que entraste na minha vida e te tornaste parte dela, mas parece que sempre estiveste aqui. Por isso, e como nos estão sempre a avisar naqueles programas bem intencionado estilo Tyra Banks Show e Oprah, tudo o que é colocado na net nunca mais desaparece, quero que fique aqui registado que,

aconteça o que acontecer, faças o que fizeres, vou ter sempre muito orgulho em ti, e nem mesmo os milhares de quilómetros irão apagar isso.

E a China não é assim tão longe; além disso, do longe se faz perto quando assim há vontade e querer.

Boa viagem e boa sorte.

Para a minha mana pequenina.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Eu podia escrever...

... a propósito da visita do Papa a Madrid, um texto cheio de fel, vinagre e piri-piri, mas prefiro apresentar as minhas reflexões de forma mais ponderada e imparcial. É certo que bater no Papa é um desporto tão em voga no século XXI como o pontapé no judeu e o arremesso do mouro eram no século XI ( desportos descobertos por Renato Carreira na sua obra História de Portugal - Director's Cut, que recomendo vivamente ); mas tenhamos juízo. A Coroa Espanhola gastou dinheiro público para um evento que trouxe milhares de turistas à capital, turistas esses que tiveram de comer, dormir, lavar os dentes e comprar castanholas. Isso significa dinheiro, euros a pingar. Não tenho absolutamente nada contra manifestações públicas de desagrado, tenho sim, quando se começa a aparvalhar. Ora àlaber:


- Não conheço a lei espanhola, mas calculo que nestas coisas seja semelhante à portuguesa, mas com um leve cheio a paella em vez de coentros. E a Lei Portuguesa concede o direito à indignação ( mal seria se não concedesse, com os governos que têm assolado este país como epidemias ), à liberdade de manifestação e de expressão. O problema é quando, ao manifestarmos a nossa indignação, atiramos garrafas à facção contrária e gritamos impropérios. Aqui já estamos a pisar um terreno lodoso, que é o limite da liberdade. Porque a liberdade não é ilimitada, termina onde começa a liberdade alheia, e não me pareceu que as 5 mil pessoas que fizeram a primeira manifestação e que se cruzaram ( acidentalmente, pela certa ), com o cortejo das Jornadas Mundiais da Juventude fossem lá muito tolerantes. No entanto, eram óptimos no lançamento da garrafa e do pedregulho.


- Devo dizer que faz-me um bocadinho de confusão, nos dias que correm, atentar contra a entidade que mais voluntários e obras de caridade tem pelo mundo inteiro. Pergunto-me quantos dos manifestantes têm os pais ou os avós em lares de misericórdia, quantos filhos em creches das paróquias, quantos têm familiares ou amigos que recebem comida, roupa e material escolar das respectivas dioceses. É um suponhamos.

- Acredito que, no meio daquelas 5 mil pessoas, estivesse muita gente que apenas queria expressar ordeiramente o seu desagrado. O que os espanhóis não sabem mas os portugueses sabem desde mil-nove-e-setenta-e-quatro é que, no meio desta gente pacífica e ordeira, aparecem sempre uns espantalhos que não fazem nada da vida a não ser, como diria airosamente um ex-chefe que tive à uns anitos, coçá-los e cheirá-los.


- Na manifestação da noite, com cerca de uma centena de pessoas, em que a carga policial foi pesada, devo relembrar que gostando do homem ou não, sendo católico ou não, ele é Papa e é Chefe de Estado, e tem todos os meios de segurança que têm os outros chefes de estado. Além disso, não me parece que fose uma manifestação ( ou melhor, um ajuntamento, que eles era pouquitos... ou vá, uma birra... ) muito pacífica. Os polícias podiam já não ter paciência. A teoria de ter sido uma brigada policial ligada à Opus Dei é capaz de ser exagero.

- Já por várias vezes manifestei o meu desagrado por uma geração emergente em Portugal, uma geração que estudo em colégio particulares, nunca usou um par de calças remendado, quando fizeram 18 anos os papás deram-lhes carta e carro, foram para a Universidade, aos 30 anos nunca trabalharam nem fizeram descontos. Mas são de esquerda, gritam por direitos e apelam aos trabalhadores, uma espécie de exército de pequenos Louçãs. E irritam-me, porque a canalha que foi ver o Papa a Espanha é mais útil. Podem nunca ter usado um par de calças remendado, e se calhar também vão ter popó aos 18, mas dão catequese, fazem parte de grutos de voluntariado e acção social, são utéis à sociedade. E a utilidade do ser humano, para mim, é o que o mede, independentemente da cor da pele e cor política, da religião ou da marca de bolachas favorita.


Por fim, lanço aqui a questão: quando Portugal e Espanha entregaram a candidatura para organizarem um Mundial de Futebol, não ouvi protestos de indignação; Portugal apresentou as infraestruturas já feitas, vá lá, se calhar tinham de dar uma demãozita de tinta no estádios. Espanha tinha de fazer obras de reestruturação e alguns estádios de raiz e eu não me lembro de ouvir protestos de indignação quanto à utilização de dinheirinhos públicos... E a questão é: se organizarem um campeonato de futebol, estes manifestantes irão atirar pedras aos turistas que vão à bola? Ou vão vestir a camisola da selecção e o cachecol?


Haja pachorra.

terça-feira, 26 de julho de 2011

A propósito dos atentados de Oslo...

... devo dizer que, sendo eu uma pessoa imensamente curiosa e com um estômago de fazer inveja a muito cirurgião e agente funerário que por aí anda, estou a ler o "Manisfesto 2083", da autoria de Andrew Breivik, também autor de um massacre/banho de sangue bastante popular nos últimos dias. Não o faço por concordar com as "ideias" ( sim, com aspas, muitas aspas ) desta "pessoa" ( sim, com aspas também ), até porque eu seria, para este "indivíduo" (acho que já apanharam a ideia ) um belíssimo alvo a abater; faço-o, sim, porque interesso-me bastante, academicamente falando, por perturbações psiquiátricas ( como poderão confirmar numa da minhas primeiras postas de sempre aqui na baiúca ). Estou a ler, vou sensivelmente a um terço do documento que o DN gentilmente colocou disponível em PDF. Não vou colocar aqui o link porque apesar do meu estômago de lata, aconselho vivamente a que não o leiam. Se quiserem uma leitura xenófoba um pouco mais light, leiam o Mein Kampf. Mais light, garanto.


A mente humana é assustadora.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Há mortos e mortos.

Pelos vistos o pseudo-cantor e pseudo-actor Angélico Vieira morreu. Quinou. Patinou. Está a partir cascalho. A mim não me vai fazer grande falta, ou por outra, não vai fazer nenhuma, mas, naturalmente, é de lamentar a morte de um jovem na flor da idade. Ninguém me pode obrigar a respeitá-lo como profisssional ( ou pseudo-profissional ), mas terá sempre o meu respeito como ser humano. No entanto, há aqui uma coisa que me está a fazer confusão na caixa dos neurónios, e é nada mais nada menos que a estranha tendência de relativizar.


Se a notícia tivesse saído desta forma...


"Quatro jovens despistam-se com um carro de alta cilindrada num troço da A1 devido ao rebentamento de um pneu; um dos jovens teve morte imediata, dois ficaram feridos com gravidade, tendo um falecido após 3 dias de coma, e um ferido ligeiro. O estado do ferido grave inspira ainda cuidados, e estão ainda por apurar as causas do acidente, apesar de já estar confirmado que apenas o ferido ligeiro usava o cinto de segurança."


...os comentários que são feitos nos suportes web dos jornais mais conhecidos da nossa praça seriam bem diferentes! Não haveria cá "ai coitadinho", estariam todos a dizer "bando de assassinos". Angélico Vieira ia a conduzir um carro com um controle de tracção que não se despista a 120km/h, nem que rebente um pneu. Contas feitas, ia a mais de 240 km/h. Isso já faz dele um assassino em potência, pois pelo que li no perfil do rapaz, ele nunca foi piloto de ralis nem de Fórmula 1. O ferido ligeiro disse que ele levava o cinto posto; pois eu cá só conheço uma maneira de se ser cuspido de um carro com o cinto posto: ficando cortado ao meio, coisa que por norma incomoda imenso e dá direito a morte imediata, sem passar na casa da partida e receber 2000$00.


Resumindo e baralhando, foi um conjunto de circunstâncias infelizes ( um carro com cilindrada e cavalitos a mais para as unhas que iam ao volante, possivelmente pneus inapropriados ou em mau estado, falta de zelo e incumprimento de regras ao não usarem cinto e circularem a velocidade excessiva ), mas que, pelos vistos, é mais desculpável porque o condutor cantava em tronco nu e tinha um sorriso Pepsodent. Há mortos e mortos.

sábado, 23 de abril de 2011

Santa Páscoa!

Votos de uma Santa Páscoa com Jesus Ressuscitado. Que esta Páscoa nos permita a reflexão e evolução... porque este é um tempo de renovação.

A Misantropa quebra o silêncio...

... nesta Semana Santa para desejar a todos um Feliz Dia Mundial do Livro. Que a paixão pela leitura e pela escrita se espalhe cada vez mais, porque, já me dizia o meu avô, homem de muita sabedoria, "a chave para o sucesso de um homem ou de uma mulher, e daí para o sucesso de uma nação, é a formação intelectual e a cultura. E a melhor forma de o conseguir é lendo."

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Balanço Semanal

Uma semana. Apenas uma semana.

E continua da mesma forma... mais que ontem, menos que amanhã.

domingo, 10 de abril de 2011

De Mãos Dadas ( from ancient times )

Há pessoas que passam e nem as vemos. Há outras com quem convivemos e temos uma boa relação, mas um dia deixamos de as ver, esse dia transforma-se em semanas, meses, anos, até que se torna apenas numa memória esporádica de quem guardamos bons momentos, mas já um pouco turvos. Outras, que logo desde o primeiro minuto não gostamos, e apostamos todo o nosso ser em não gostar. E depois aquelas, que aparecem de mansinho, que vamos conhecendo, com quem partilhamos choros e risos, mágoas e alegrias, chocolates e desilusões. Pessoas com quem é fácil passar horas num café a conversar sem o tempo dar sinal. Pessoas que estamos do lado delas para acompanhar, atrás para dar coragem e à frente para defender. Pessoas a quem não limpamos as lágrimas, simplesmente as deixamos escorrer até ao queixo enquanto lhes oferecemos a segurança de um abraço. Pessoas por quem choramos quando ficamos felizes por elas. E de repente apercebemo-nos que já não são apenas pessoas. São os amigos, aqueles de verdade, aqueles que só aparecem quando o universo se junta numa conjunção cósmica e mágica. São pessoas com as quais atravessamos a vida de mão dada, porque nunca nenhum amor será tão forte, puro e verdadeiro como o de dois amigos. Não tenho muitos. Mas os que tenho apoio sem recusar, consolo sem acusar e defendo sem pensar. Mas acima de tudo, os meus amigos conquistam feitos e eu orgulho-me tanto ou mais como se fossem meus. Porque os amigos são assim. Para o que der e vier. Para a minha pedróloga preferida, com um beijo e um abraço.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Os anos podem passar...

... mas nunca vou esquecer a tua voz sussurrada, as tuas mãos nas minhas, o teu olhar doce e sincero, e a alegria que vi nos teus olhos quando te respondi.

Mais do que ontem... menos do que amanhã.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Não quero...

... sair dos teus braços, do teu aconchego. Não quero que vás, mesmo quando sei que tens de ir, porque perco-me no teu beijo, no teu toque, no teu olhar. Cada vez que te dou a mão, tenho ainda mais certeza, coisa que nunca tive nem quis. Tenho a certeza que acertei no dia em que te encontrei. Cada vez que olho nos teus olhos, tenho a certeza de onde quero estar, e com quem quero estar. E quando me beijas eu sei que não há mais nenhum homem que eu queira, que nunca fui tão mulher como sou nos teus braços. Shhhhh, deixa-te ficar aqui, no silêncio, meu amor. Deixa-me ficar nos teus braços e sentir-me amada. Não vá já, dá-me mais um beijo, não olhes o relógio, fica comigo.

sábado, 26 de março de 2011

Cantiga da Mariana

Mariana diz que tem
Sete saias de balão,
Que lhe deu um caixeirinho
Da gaveta do patrão.

Mariana diz que tem
Sete saias de cambraia,
Mariana mentirosa
Que não tem nenhuma saia.

Mariana diz que tem
Sete saias de veludo,
Rompe, rompe Mariana
Que o dinheiro paga tudo.

Mariana diz que tem
Sete saias de cetim,
Que lhe deu um caixeirinho
à saída do jardim.

E já la vão dez anos que comecei a cantar baixinho esta cantiga... Parabéns!